Vultures no SNL

8, fevereiro, 2010 Leonardo Tissot Sem comentários

Vídeos do Saturday Night Live não costumam durar na internet, mas vamos lá. O Grunge Report publicou nesse fim de semana a participação do Them Crooked Vultures no tradicional programa humorístico americano.

Mind Eraser, No Chaser

New Fang

E ainda um sketch do Dave Grohl aloprando junto com o Kelso (que era o host da noite).

Lembrei do Rock Star Fantasy Camp, lá de 1994, sketch que reuniu não só o então ex-baterista do Nirvana, como também membros do Soundgarden e do Pearl Jam.

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Conselhos de Bob Harris

1, fevereiro, 2010 Leonardo Tissot 2 comentários

Your life, as you know it… is gone, never to return. But they learn how to walk, and they learn how to talk and you want to be with them. And they turn out to be the most delightful people you will ever meet in your life.

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Na locadora

24, janeiro, 2010 Leonardo Tissot 2 comentários

Sexta-feira, casalzinho meio sem ter o que fazer, procurando filmes na prateleira dos lançamentos. Ela mais agitada. Ele meio quieto.

Ela pega o DVD de Funny People – brilhantemente traduzido no Brasil como “Tá Rindo do Quê?”.

- Amor, que tal esse aqui?

Ouço apenas um breve grunhido.

- Ai, deve ser idiota esse filme – ela decide, jogando a caixinha de volta à estante.

Parabéns, tradutores de títulos de filmes do Brasil. Vocês conseguiram de novo.

* Tirinha por Liniers.

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Comendo em Belém

13, janeiro, 2010 Leonardo Tissot Sem comentários

Passei o final de ano em Belém (PA). Foi minha segunda vez na capital paraense, mas a primeira a passeio. Consegui experimentar muita coisa da culinária típica local. A seguir um breve relato, para quem um dia andar por lá saber onde está se metendo.

Tacacá
Mistura de tucupi (caldo fino de cor amarelada extraído da mandioca) com goma. O tucupi é venenoso e precisa ser cozinhado por horas antes de ser consumido. Como descobriram o tempo exato necessário para o veneno se esvair? Não faço a menor ideia e ninguém soube me explicar até agora. É servido em uma cuia, mas não essas de chimarrão. É tipo uma tigela bem primitiva. Mergulhados no tucupi e na goma, vão o jambu (um vegetal que deixa a boca dormente) e os melhores camarões que eu já comi na vida. Fresquinhos e crocantes. Recomendo.

Maniçoba
Outra iguaria inicialmente venenosa, feita à base de maniva, erva que precisa ser cozinhada por sete dias antes de ser servida. Quantos índios padeceram até descobrirem isso eu não sei afirmar com certeza, mas calculo pelo menos sete. Felizmente, consegui sobreviver. Apesar da aparência assustadora, o prato é bem inofensivo. Pela forma como é preparado (num panelão com carne de porco) e servido (eu comi com arroz) lembra um pouco uma feijoada, embora não tenha grãos. Não recomendo tanto, mas quem for até lá precisa provar.

O Inimigo se entupindo de tacacá

Pato no tucupi
O tucupi é aquele mesmo do tacacá. Também vai jambu na mistura. Pato é pato em qualquer lugar, uma ave de carne um pouco mais escura do que um frango. Não entrou no meu Top 5 de melhores comidas de todos os tempos, mas é ingerível.

Açaí
Nenhum açaí se compara ao de Belém. Pelo menos os que eu tive oportunidade de provar aqui em POA… O que chega mais perto é o da cantina da Uni-Yôga (a unidade que fica na Ramiro Barcelos). Mas no Pará eles te olham torto se tu confessa que tomou açaí com banana picada e granola. O certo é encher a tigela com a polpa do açaí batida e farinha de tapioca por cima. O contraste do sabor é excelente e um açaí gelado é tudo que você pode querer pra espantar o calor. Te deixa com um sorrisão azul daqueles. Mas dá um sono…

Sorvetes da Cairu
Encontrei uma sorveteria melhor que a Zum Zum, de Pelotas. É a Cairu (o site está em manutenção, mas confere o link depois). Dá de goleada na superestimada Jóia, de Porto Alegre. Recomendo com garra os de cupuaçu, bacuri e açaí. Já o de chocolate, bem, ainda prefiro o da Zum Zum, mesmo.

Chopp de bacuri
Bacuri é uma fruta local, que não cheguei a provar, exceto em sobremesas e bebidas como esse chopp, vendido na Amazon Beer. Ao contrário da cerveja de erva-mate do Dado Bier – que não dá pra identificar se o que está sendo ingerido é chimarrão ou chopp – a receita paraense é definitivamente cerveja, mas com um leve toque da fruta. Nada que vá te fazer parar de tomar uma Pilsen normal, mas o resultado é interessante. Nem que seja para provar uma vez na vida.

Tapioquinha
Feita à base de tapioca, é enrolada como uma panqueca. Tem um sabor leve, nada muito excitante. Uma boa opção para um lanchinho à tarde.

Cerpa Export
A famosa “Cerpinha” é a Polar do Pará. Mas muito melhor que sua coirmã gaúcha.

Caranguejo
Em Rio Grande deve ter bastante, mas nunca tinha provado. Minha exploração em frutos do mar tinha ido só até o siri na casca, que acho bem meia-boca. Pois caranguejo também não me apeteceu muito. Achei meio nojento ter que ficar quebrando as patas do bicho e chupando aquela miséria de carne lá de dentro. Dá muito trabalho e não enche a pança. Me dá mais açaí, por favor.

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Power to the People

22, dezembro, 2009 Leonardo Tissot 1 comentário

Isso não foi muito divulgado por aqui, mas olha que coisa incrível.

No Reino Unido, todos os anos, há uma grande expectativa de qual será o single mais vendido na semana de Natal. Afinal, não há coisa que os ingleses gostem mais do que música pop. Bem, talvez tenha, sim: paradas de sucesso.

Simon Cowell – o jurado mala de American Idol e executivo da BMG – afirmou que um de seus protegidos, Joe McElderry (vencedor do The X Factor, programa de música local do qual Cowell também é jurado), chegaria ao topo da parada de singles britânica no Natal deste ano, com a música “The Climb”. E isso provavelmente aconteceria, já que os vencedores do show de calouros vêm alcançando esse objetivo há quatro anos.

Rage-Against-The-Machine-Posters

Surgiu, então, no Facebook, uma campanha para levar uma canção que fosse o oposto completo do pop açucarado e desprovido de colhões de McElderry e Cowell ao topo: o clássico da rebeldia “Killing in the Name”, do Rage Against The Machine, de 1992. Era um recado a Simon Cowell: “fuck you, I won’t do what you tell me”.

Para combater a ainda fortíssima mídia britânica, só mesmo a internet. Com a força dos usuários do Facebook (e o apoio – ainda que descrente – de veículos como o NME) o que parecia impossível realmente aconteceu. Fãs de música de verdade levaram a campanha em frente, colocando o quarteto americano no Top 40 UK na semana de 20 de dezembro.

Por meio do comércio online, o single do RATM vendeu 50 mil cópias a mais do que a baba radiofônica de McElderry, provocando até mesmo a retratação pública de colunistas do NME, que simplesmente não acreditavam que tal coisa fosse possível.

O dinheiro será enviado para caridade e o RATM prometeu fazer um show de reunião gratuito no Reino Unido em 2010.

O engraçado é que, provavelmente, nunca uma canção com tantos “fuck you” foi tão celebrada durante o Natal.

E você, para quem gostaria de mandar um sonoro “fuck you” neste fim de ano?

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Bastidores do jornalismo

18, dezembro, 2009 Leonardo Tissot Sem comentários

- Luis, teu nome se escreve com “S” com ou “Z”?
- Com “S”.
- Com acento ou sem acento?
- Olha, aí nem sei. Deveria ter, né? Mas não é todo mundo que usa.

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And I swear that I don’t have a gun

18, novembro, 2009 Leonardo Tissot Sem comentários

Resgatando um post de seis anos atrás. Motivo? Hoje é o sweet sixteen do melhor disco ao vivo de todos os tempos.

————-

Kurt Cobain levou os produtores da MTV à loucura durante as reuniões sobre o Unplugged. Primeiro, não queria tocar nenhum hit do Nirvana, e acabou incluindo apenas “Come As You Are” no repertório do show.

Depois, das 14 músicas escolhidas, seis eram covers, sendo cinco delas músicas absolutamente obscuras, de artistas como Leadbelly e os Vaselines. Como convidados, os escolhidos foram os desconhecidíssimos Meat Puppets.

A MTV não sabia o que fazer. Estavam certos de que a gravação seria um desastre. O nervosismo da banda no dia da apresentação piorou ainda mais o clima.

Quem diria que, hoje, 10 anos depois daquele show em Nova York, ninguém mais agüentaria ouvir falar nesse acústico, de tão reprisado que foi pelo canal musical?

Nova York, 18 de novembro de 1993

Nova York, 18 de novembro de 1993

Construído dentro de uma ética artística completamente diferente daquela vista nos unpluggeds de hoje em dia – geralmente um greatest hits mal-disfarçado pra levantar a carreira de artistas que não chegam nem perto do que já foram um dia – o acústico do Nirvana é, na minha opinião, o último momento realmente genial da banda: canções simples, de poucos acordes, cantadas tristemente e com um ar de despedida que fez completo sentido alguns meses depois.

Entretanto, aquilo que era tocado e cantado não poderia ser apresentado de forma melhor e mais profunda, nem mesmo com solos de zilhões de notas e uma produção tecnicamente perfeita. Aliás, tem gente que pensa que eles se achavam grandes músicos, porque só sabem criticar a banda do ponto de vista técnico.

A música do Nirvana não era uma questão de técnica. Nunca foi. Ainda bem.

Heavier Than Heaven, página 351:

Quando ele saiu do palco, houve ainda outra discussão com os produtores da MTV – eles queriam um bis. Kurt sabia que não conseguiria superar o que havia feito. “Quando você vê o suspiro em sua expressão antes da última nota”, observa Finnerty, “é quase como se fosse o último suspiro de sua vida”. Nos bastidores, o resto da banda estava empolgado com a apresentação, embora Kurt ainda parecesse inseguro. Krist disse a ele: “Você fez um ótimo trabalho lá em cima, cara”, e Janet Billig estava tão comovida que chorou. “Eu disse a ele que era seu bar mitzvah, um momento de definição da carreira, tornando-se o homem de sua carreira”, lembra Billig. Kurt gostou dessa metáfora, mas quando ela elogiou sua execução na guitarra, isto pareceu ser uma extrapolação: ele a desancou, declarando que era um “péssimo guitarrista” e pedindo que ela nunca o elogiasse novamente.

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This Is It

11, novembro, 2009 Leonardo Tissot 4 comentários

Então é isso. Você vai ao cinema ver This Is It e a história não muda. O final não é feliz. Michael realmente morre.

Não sei exatamente o quão irônico e o quão verdadeiro o Cuca estava sendo no post dele sobre o filme, mas também fiquei com uma sensação de estranheza. Especialmente nos depoimentos iniciais dos bailarinos, que supostamente se preparavam para testes em frente ao Rei do Pop.

A textura da imagem parecia diferente do resto do filme (35mm?). Por que gravaram – antes mesmo de começarem os ensaios – algo em qualidade superior ao resto do documentário? Além disso, as “falas” não soavam espontâneas. Talvez até tenham sido roteirizadas. Vai saber.

No geral, eu esperava um pouco mais de conversas, reuniões sobre como deveria ser o show etc. O filme até tem algumas coisas nesse sentido, como princípios de discussão de Michael com sua equipe. Mas nada que vá além de “estou pedindo com amor, ok?” ou “é por isso que a gente ensaia”. Duvido muito que ele fosse esse poço de humildade que tentam pintar. Muito menos que não tenha mandado ninguém longe durante toda a preparação.

this-is-it-415-blog

Mas This Is It foca na música, nos grandes hits de Michael Jackson – cantados à meia-voz, pois ele alegava que as cordas vocais precisavam ser preservadas. Será que teria energia para os 50 shows, sem playback até o final da turnê?

Também não fiquei com a impressão de que ele estivesse “no auge da forma” como dizem por aí. Além de muito magro, alguns movimentos do astro me pareceram limitados. Claro, com 50 anos de idade e meio enferrujado pelos anos afastado dos holofotes, isso era mais do que natural e previsível.

Os efeitos visuais bolados para o show também pareciam ótimos. Mas para cinema. As cenas, principalmente as da montagem revitalizada de “Thriller” (em 3D, com novo figurino, maquiagem e cenário, tudo bonitinho e pós-produzido), podem render um filme no futuro breve. Mas não ficou muito claro para mim como funcionariam no palco.

Na real, esperava que o filme fosse mais emocionante. Me pareceu frio, técnico demais, escuro em excesso. O que, de certa forma, é honesto – apesar dos depoimentos insossos e forçados do começo.

A última obra de Michael Jackson mantém as contradições que sempre fizeram parte de sua carreira e personalidade. Nada poderia ser mais coerente, portanto.

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O taxista comediante

9, novembro, 2009 Leonardo Tissot 3 comentários

A cada dia descubro mais e mais as figuraças de Porto Alegre. Ainda preciso escrever sobre algumas delas, como o Woody Allen do Bom Fim, por exemplo.

Sábado de manhã entrei num táxi. O motorista era nada menos que um stand-up comedian. Ou um sit-down comedian, se formos levar em conta a necessidade de dirigir sentado.

Durante a corrida, o cara desfilou uma piada atrás da outra, naquele mesmo timing de Jerry Seinfeld, Bill Maher e outros: introduzia o tema da piada (que podia ser carros, cachorros ou mulheres), lançava uma pergunta e, segundos depois, antes mesmo que eu pudesse responder, já disparava a resposta.

Ele não ria, como todo bom comediante. O problema é que eu também não. Quer dizer, até forcei um pouco algumas vezes, para o clima não ficar muito chato. Até porque a primeira piada foi meio violenta.

A manhã estava chuvosa, e ele revelou que já sabia desde o dia anterior como estaria o clima. “Eu tenho um relógio que me avisa”, disse. E mostrou uma cicatriz grotesca de 15 cm no pulso esquerdo, fruto de um acidente enquanto trocava o pneu do carro. “Tenho uma placa de metal meteorológica”, falou, numa irona demente que mais parecia alívio cômico de um filme de terror.

Depois, continuou palestrando sobre peitões, colocar gasolina no ânus dos filhos, entre outras escatologias que não animaram nem um pouco o meu sábado. Mas tenho que dar uma folga pro cara: seria realmente difícil alegrar um fim de semana em que era necessário trabalhar.

De qualquer forma, ele não era muito pior que nenhum desses caras do CQC, não… Seja amadora ou profissional, stand-up comedy brasileira (a.k.a., “comédia de pé”): não trabalhamos.

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Pearl Jam no Halloween

7, novembro, 2009 Leonardo Tissot 2 comentários

Pearl Jam tocando “Whip It” na Filadélfia, fantasiados de Devo. Para quem não conhece o vídeo original, um dos melhores de todos os tempos na modesta opinião deste blogueiro, tem aqui.

Achou estranho? Calma, era só Halloween… Pior mesmo foi em 2000, quando eles tocaram vestidos de Village People.

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