Scorsese é rock

Se Woody Allen é jazz, Martin Scorsese é rock. Hoje estreia Shutter Island (Ilha do Medo), seu novo filme com seu novo muso, Leonardo DiCaprio.

Não gostei muito do trailer, mas verei. Seu longa mais recente, The Departed (Os Infiltrados), rendeu o tão aguardado e merecido Oscar de Melhor Diretor. Aquela sequência inicial com o voice over do Jack Nicholson e “Gimme Shelter” dos Stones na trilha sonora já valiam a estatueta.

Um de meus filmes favoritos do velhinho é o curta Life Lessons, parte de New York Stories (Contos de Nova York), em que divide a telona com Francis Ford Coppola e Woody Allen. O artista loucaço, apaixonado, obcecado pela beleza, solitário, bêbado e alucinado. Na trilha, “Like a Rolling Stone” e “A Whiter Shade of Pale”.

Scorsese também dirigiu No Direction Home, documentário sobre o início da carreira de Bob Dylan. Longo (mais de 3 horas), tem um começo chatíssimo, mas da metade pro fim é só alegria.

No seu filme de música seguinte, largou o intelectualismo folk e caiu de cabeça na diversão roqueira. Shine a Light, dos Stones, é a experiência mais próxima de um show que já tive dentro de uma sala de cinema.

Até quando não coloca música em suas cenas, Scorsese é rock. Essa sequência clássica de Taxi Driver é um bom exemplo.

Um de meus maiores pecados como fã (de Scorsese e de rock) é nunca ter assistido The Last Waltz (O Último Concerto de Rock), que reuniu Eric Clapton, Bob Dylan, Neil Young, Van Morrison e outros no último show da The Band. Espero corrigi-lo em breve.

Ele dirigiu umas bombas (Cabo do Medo, Vivendo no Limite), é verdade. Mas desfila um repertório de clássicos de fazer inveja a qualquer Steven Spielberg da vida: Touro Indomável, Cassino, Depois de Horas…

Meu preferido? Goodfellas (Os Bons Companheiros), com o clássico diálogo entre Joe Pesci e Ray Liotta.

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You are here, don’t look back

Quem lê esse blog há um tempinho lembra da minha reivindicação por Cat Power em Porto Alegre no ano passado. Parece que alguém lá em cima gosta de mim.

Demorou quase um ano, mas a gatíssima Chan Marshall desembarca pela segunda vez na capital gaúcha no próximo dia 20 de maio.

Bora?

E ela também canta Dylan.

E já cantou com Eddie Vedder.

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It does get loud

Não assisti ao Oscar, mas o ótimo “It Might Get Loud” (A Todo Volume) rolou no DVD nesse fim de semana. Para quem gosta de documentários de rock, é obrigatório.

Mesmo tendo como tema o clichê dos clichês – a mística da guitarra no rock n’ roll – o filme consegue surpreender em alguns momentos: Jack White fabricando sua própria guitarra e contando do passado como estofador numa birosca de Detroit. Jimmy Page confessando a frustração de viver como músico de estúdio na Londres dos anos 60. E The Edge sendo The Edge – mais interessado em barulhinhos e computadores do que no próprio instrumento.

Apesar de nas entrevistas individuais um meter o pau no estilo do outro – enquanto Jack fala que detesta o uso da tecnologia na música, The Edge critica os longos solos praticados nos anos 70 (a especialidade de Page) -, ao se encontrarem no estúdio montado pela produção do filme, o clima é de respeito e camaradagem.

No final, os três se unem para tocar a simples e bela “The Weight”, da The Band.

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Mal aí

Desculpe, mas eu gosto de Metallica. Pior ainda: gosto de Metallica pós-anos 90.

Logo que comecei a ouvir música pra valer, o álbum Load foi lançado. Lembro que já na época foi muito criticado. Não era pesado, os caras tinham cortado os cabelos e tomado um banho de loja, blah, blah, blah.

Olha, o Load é mais pesado que boa parte dos discos qualificados como rock hoje em dia. Ok, não é metal extremo, não assusta criancinhas e a sua mãe até pode gostar de um som ou outro. E daí?

Tem grandes músicas, a começar por “Until It Sleeps”, que tem surgido na minha cabeça nos últimos dias – ironicamente – logo após acordar.

Tem muita influência de rock sulista americano, de blues, é bem tocado, bem gravado, tem uma paleta mais variada de sons e timbres… É o melhor disco do Metallica na minha opinião. Desculpa aí pelo mau gosto.

Concordo que o Reload é meia boca, mas tem coisas boas também. “The Unforgiven II” é forçada, mas tem “The Memory Remains”, com Marianne Faithfull, o anjo com dois peitões que traçou Hendrix e pelo menos metade dos Rolling Stones nos anos 60.

St. Anger? Também gosto. É um disco que tem sentimento – raiva – e muita energia negativa transformada em música. Claro que só poderia ser música agressiva, rápida, direta.

Não tem solinho de guitarra? Bom, quem é que canta sobre frustração, ódio, suicídio e depressão e tem tempo pra fazer solinho de guitarra? Não combina, não faz sentido. O disco é pra ser assim mesmo, um punk direto e pesadão. Desculpa aí, eu gosto.

O DVD que acompanha a edição especial de St. Anger, com ensaios da banda registrados de forma simples, sem efeitos especiais, figurino, seja lá o que for, também é lindo. Melhor ainda que o próprio disco.

Não fui no show, tô meio velho e cansado, com outras prioridades na vida. Também não tava com saco de ouvir “Master of Puppets” de novo. Em 1999, gostei bastante de assisti-los. Mas os fãs não os deixam tocar as coisas novas, só querem a velharia dos anos 80. Entendo e aceito. Mas não concordo.

Xingamentos na caixa de comentários. Obrigado.

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Cinco mulheres que valem a pena

3, março, 2010 Leonardo Tissot 1 comentário

Lady Gaga? Tais brincando.

Dá vontade de me matar e pedir pra nascer de novo, em um passado distante, quando vejo gente defendendo a legitimidade dessa criatura.

Sabia que esse maldito revival anos 80 que não tem fim daria nisso – artistas cada vez mais descartáveis e sem conteúdo. Igualzinho a esse período não-saudoso da música pop.

Não vou nem falar em Claudia Leitte (na capa da Rolling Stone, eu mereço), Ivete, Susan Boyle, Madonna (sim, é um lixo também, nem vem com essa)…

Vamos colocar as coisas em ordem, então?

Sim, drag por drag, fico com o Bowie, obrigado.

E nem vou entrar no jazz, no blues e no soul, porque daí seria muita covardia.

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Ferdinando

Se ganhamos do bom e velho Hamburgo em 83, por que não ganharíamos do Novo?

Um dos gigantescos zagueiros adversários derruba Jonas em frente à área. Ferdinando e mais meia dúzia de tricolores se aprumam pra cobrar. Eu comento: “Se o Ferdinando bater, juro que vou embora.” Comentário infeliz.

Uma das estrelas – provavelmente Douglas – bate. A bola quase sai do estádio. Néscio.

Minutos depois, Hugo é atravessado ao meio por um dos abagualados volantes do Novo Hamburgo. Lá vem ele de novo.

Meio sem confiança, admito: “Ok, agora o Ferdinando pode bater.”

Que bucha.

Confesso, foi uma das peladas mais brabas que já assisti ao vivo, e ganhar um turno só ainda é nada perto do que merecemos.

Mas que bucha.

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Vultures no SNL

8, fevereiro, 2010 Leonardo Tissot Sem comentários

Vídeos do Saturday Night Live não costumam durar na internet, mas vamos lá. O Grunge Report publicou nesse fim de semana a participação do Them Crooked Vultures no tradicional programa humorístico americano.

Mind Eraser, No Chaser

New Fang

E ainda um sketch do Dave Grohl aloprando junto com o Kelso (que era o host da noite).

Lembrei do Rock Star Fantasy Camp, lá de 1994, sketch que reuniu não só o então ex-baterista do Nirvana, como também membros do Soundgarden e do Pearl Jam.

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Conselhos de Bob Harris

1, fevereiro, 2010 Leonardo Tissot 2 comentários

Your life, as you know it… is gone, never to return. But they learn how to walk, and they learn how to talk and you want to be with them. And they turn out to be the most delightful people you will ever meet in your life.

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Na locadora

24, janeiro, 2010 Leonardo Tissot 2 comentários

Sexta-feira, casalzinho meio sem ter o que fazer, procurando filmes na prateleira dos lançamentos. Ela mais agitada. Ele meio quieto.

Ela pega o DVD de Funny People – brilhantemente traduzido no Brasil como “Tá Rindo do Quê?”.

- Amor, que tal esse aqui?

Ouço apenas um breve grunhido.

- Ai, deve ser idiota esse filme – ela decide, jogando a caixinha de volta à estante.

Parabéns, tradutores de títulos de filmes do Brasil. Vocês conseguiram de novo.

* Tirinha por Liniers.

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Comendo em Belém

13, janeiro, 2010 Leonardo Tissot Sem comentários

Passei o final de ano em Belém (PA). Foi minha segunda vez na capital paraense, mas a primeira a passeio. Consegui experimentar muita coisa da culinária típica local. A seguir um breve relato, para quem um dia andar por lá saber onde está se metendo.

Tacacá
Mistura de tucupi (caldo fino de cor amarelada extraído da mandioca) com goma. O tucupi é venenoso e precisa ser cozinhado por horas antes de ser consumido. Como descobriram o tempo exato necessário para o veneno se esvair? Não faço a menor ideia e ninguém soube me explicar até agora. É servido em uma cuia, mas não essas de chimarrão. É tipo uma tigela bem primitiva. Mergulhados no tucupi e na goma, vão o jambu (um vegetal que deixa a boca dormente) e os melhores camarões que eu já comi na vida. Fresquinhos e crocantes. Recomendo.

Maniçoba
Outra iguaria inicialmente venenosa, feita à base de maniva, erva que precisa ser cozinhada por sete dias antes de ser servida. Quantos índios padeceram até descobrirem isso eu não sei afirmar com certeza, mas calculo pelo menos sete. Felizmente, consegui sobreviver. Apesar da aparência assustadora, o prato é bem inofensivo. Pela forma como é preparado (num panelão com carne de porco) e servido (eu comi com arroz) lembra um pouco uma feijoada, embora não tenha grãos. Não recomendo tanto, mas quem for até lá precisa provar.

O Inimigo se entupindo de tacacá

Pato no tucupi
O tucupi é aquele mesmo do tacacá. Também vai jambu na mistura. Pato é pato em qualquer lugar, uma ave de carne um pouco mais escura do que um frango. Não entrou no meu Top 5 de melhores comidas de todos os tempos, mas é ingerível.

Açaí
Nenhum açaí se compara ao de Belém. Pelo menos os que eu tive oportunidade de provar aqui em POA… O que chega mais perto é o da cantina da Uni-Yôga (a unidade que fica na Ramiro Barcelos). Mas no Pará eles te olham torto se tu confessa que tomou açaí com banana picada e granola. O certo é encher a tigela com a polpa do açaí batida e farinha de tapioca por cima. O contraste do sabor é excelente e um açaí gelado é tudo que você pode querer pra espantar o calor. Te deixa com um sorrisão azul daqueles. Mas dá um sono…

Sorvetes da Cairu
Encontrei uma sorveteria melhor que a Zum Zum, de Pelotas. É a Cairu (o site está em manutenção, mas confere o link depois). Dá de goleada na superestimada Jóia, de Porto Alegre. Recomendo com garra os de cupuaçu, bacuri e açaí. Já o de chocolate, bem, ainda prefiro o da Zum Zum, mesmo.

Chopp de bacuri
Bacuri é uma fruta local, que não cheguei a provar, exceto em sobremesas e bebidas como esse chopp, vendido na Amazon Beer. Ao contrário da cerveja de erva-mate do Dado Bier – que não dá pra identificar se o que está sendo ingerido é chimarrão ou chopp – a receita paraense é definitivamente cerveja, mas com um leve toque da fruta. Nada que vá te fazer parar de tomar uma Pilsen normal, mas o resultado é interessante. Nem que seja para provar uma vez na vida.

Tapioquinha
Feita à base de tapioca, é enrolada como uma panqueca. Tem um sabor leve, nada muito excitante. Uma boa opção para um lanchinho à tarde.

Cerpa Export
A famosa “Cerpinha” é a Polar do Pará. Mas muito melhor que sua coirmã gaúcha.

Caranguejo
Em Rio Grande deve ter bastante, mas nunca tinha provado. Minha exploração em frutos do mar tinha ido só até o siri na casca, que acho bem meia-boca. Pois caranguejo também não me apeteceu muito. Achei meio nojento ter que ficar quebrando as patas do bicho e chupando aquela miséria de carne lá de dentro. Dá muito trabalho e não enche a pança. Me dá mais açaí, por favor.

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