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Woody Allen + That 70’s Show

Não sei se eu nunca tinha assistido, ou se eu não tinha pescado a referência na época. Mas ontem peguei uma reprise de “That 70’s Show” na TV em que o Eric e a Donna fazem o Alvy Singer e a Annie Hall.

Abaixo a cena original:

Dewey Cox encontra os Beatles

Dia desses peguei na TV o filme Walk Hard: The Dewey Cox Story, paródia de filmes como Johnny & June, Ray, etc. Dewey Cox é um músico meio Bob Dylan/Brian Wilson que se perde nas drogas e no próprio ego enlouquecido. Além de participações de Jack White (como Elvis!) e Eddie Vedder, entregando um prêmio para Dewey, tem essa cena brilhante de um encontro do personagem principal com os Beatles.

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Cuidado, Woody

Ele vai te engolir.

Scorsese é rock

Se Woody Allen é jazz, Martin Scorsese é rock. Hoje estreia Shutter Island (Ilha do Medo), seu novo filme com seu novo muso, Leonardo DiCaprio.

Não gostei muito do trailer, mas verei. Seu longa mais recente, The Departed (Os Infiltrados), rendeu o tão aguardado e merecido Oscar de Melhor Diretor. Aquela sequência inicial com o voice over do Jack Nicholson e “Gimme Shelter” dos Stones na trilha sonora já valiam a estatueta.

Um de meus filmes favoritos do velhinho é o curta Life Lessons, parte de New York Stories (Contos de Nova York), em que divide a telona com Francis Ford Coppola e Woody Allen. O artista loucaço, apaixonado, obcecado pela beleza, solitário, bêbado e alucinado. Na trilha, “Like a Rolling Stone” e “A Whiter Shade of Pale”.

Scorsese também dirigiu No Direction Home, documentário sobre o início da carreira de Bob Dylan. Longo (mais de 3 horas), tem um começo chatíssimo, mas da metade pro fim é só alegria.

No seu filme de música seguinte, largou o intelectualismo folk e caiu de cabeça na diversão roqueira. Shine a Light, dos Stones, é a experiência mais próxima de um show que já tive dentro de uma sala de cinema.

Até quando não coloca música em suas cenas, Scorsese é rock. Essa sequência clássica de Taxi Driver é um bom exemplo.

Um de meus maiores pecados como fã (de Scorsese e de rock) é nunca ter assistido The Last Waltz (O Último Concerto de Rock), que reuniu Eric Clapton, Bob Dylan, Neil Young, Van Morrison e outros no último show da The Band. Espero corrigi-lo em breve.

Ele dirigiu umas bombas (Cabo do Medo, Vivendo no Limite), é verdade. Mas desfila um repertório de clássicos de fazer inveja a qualquer Steven Spielberg da vida: Touro Indomável, Cassino, Depois de Horas…

Meu preferido? Goodfellas (Os Bons Companheiros), com o clássico diálogo entre Joe Pesci e Ray Liotta.

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It does get loud

Não assisti ao Oscar, mas o ótimo “It Might Get Loud” (A Todo Volume) rolou no DVD nesse fim de semana. Para quem gosta de documentários de rock, é obrigatório.

Mesmo tendo como tema o clichê dos clichês – a mística da guitarra no rock n’ roll – o filme consegue surpreender em alguns momentos: Jack White fabricando sua própria guitarra e contando do passado como estofador numa birosca de Detroit. Jimmy Page confessando a frustração de viver como músico de estúdio na Londres dos anos 60. E The Edge sendo The Edge – mais interessado em barulhinhos e computadores do que no próprio instrumento.

Apesar de nas entrevistas individuais um meter o pau no estilo do outro – enquanto Jack fala que detesta o uso da tecnologia na música, The Edge critica os longos solos praticados nos anos 70 (a especialidade de Page) -, ao se encontrarem no estúdio montado pela produção do filme, o clima é de respeito e camaradagem.

No final, os três se unem para tocar a simples e bela “The Weight”, da The Band.

Na locadora

24, janeiro, 2010 Leonardo Tissot 2 comentários

Sexta-feira, casalzinho meio sem ter o que fazer, procurando filmes na prateleira dos lançamentos. Ela mais agitada. Ele meio quieto.

Ela pega o DVD de Funny People – brilhantemente traduzido no Brasil como “Tá Rindo do Quê?”.

- Amor, que tal esse aqui?

Ouço apenas um breve grunhido.

- Ai, deve ser idiota esse filme – ela decide, jogando a caixinha de volta à estante.

Parabéns, tradutores de títulos de filmes do Brasil. Vocês conseguiram de novo.

* Tirinha por Liniers.

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This Is It

11, novembro, 2009 Leonardo Tissot 4 comentários

Então é isso. Você vai ao cinema ver This Is It e a história não muda. O final não é feliz. Michael realmente morre.

Não sei exatamente o quão irônico e o quão verdadeiro o Cuca estava sendo no post dele sobre o filme, mas também fiquei com uma sensação de estranheza. Especialmente nos depoimentos iniciais dos bailarinos, que supostamente se preparavam para testes em frente ao Rei do Pop.

A textura da imagem parecia diferente do resto do filme (35mm?). Por que gravaram – antes mesmo de começarem os ensaios – algo em qualidade superior ao resto do documentário? Além disso, as “falas” não soavam espontâneas. Talvez até tenham sido roteirizadas. Vai saber.

No geral, eu esperava um pouco mais de conversas, reuniões sobre como deveria ser o show etc. O filme até tem algumas coisas nesse sentido, como princípios de discussão de Michael com sua equipe. Mas nada que vá além de “estou pedindo com amor, ok?” ou “é por isso que a gente ensaia”. Duvido muito que ele fosse esse poço de humildade que tentam pintar. Muito menos que não tenha mandado ninguém longe durante toda a preparação.

this-is-it-415-blog

Mas This Is It foca na música, nos grandes hits de Michael Jackson – cantados à meia-voz, pois ele alegava que as cordas vocais precisavam ser preservadas. Será que teria energia para os 50 shows, sem playback até o final da turnê?

Também não fiquei com a impressão de que ele estivesse “no auge da forma” como dizem por aí. Além de muito magro, alguns movimentos do astro me pareceram limitados. Claro, com 50 anos de idade e meio enferrujado pelos anos afastado dos holofotes, isso era mais do que natural e previsível.

Os efeitos visuais bolados para o show também pareciam ótimos. Mas para cinema. As cenas, principalmente as da montagem revitalizada de “Thriller” (em 3D, com novo figurino, maquiagem e cenário, tudo bonitinho e pós-produzido), podem render um filme no futuro breve. Mas não ficou muito claro para mim como funcionariam no palco.

Na real, esperava que o filme fosse mais emocionante. Me pareceu frio, técnico demais, escuro em excesso. O que, de certa forma, é honesto – apesar dos depoimentos insossos e forçados do começo.

A última obra de Michael Jackson mantém as contradições que sempre fizeram parte de sua carreira e personalidade. Nada poderia ser mais coerente, portanto.

Larry Allen

19, outubro, 2009 Leonardo Tissot 2 comentários

Muitos sonham em ver Jerry Seinfeld e Woody Allen trabalhando juntos. Ambos humoristas. Ambos iniciados na stand-up comedy. Ambos novaiorquinos da gema. Ambos vindos de famílias judias. Pode dar um caldo. Um dia, quem sabe.

Por enquanto, basta a gente se conformar com a união entre Allen e a outra mente por trás do sucesso de Seinfeld (a série) – o roteirista e ator Larry David. O que não é pouco. Afinal, o cara que serviu de inspiração para George Costanza não pode ser subestimado.

Sempre quis ser Woody Allen, mas com essa bermudinha...

Sempre quis ser Woody Allen, mas com essa bermudinha...

Whatever Works, que deve estrear no Brasil em novembro (com o título Tudo Pode Dar Certo), é o resultado desta parceria. Woody volta a filmar em Nova York. Larry David provavelmente realiza um de seus grandes sonhos profissionais.

O filme já saiu em DVD nos EUA. Consequentemente, está disponível para download em boa qualidade na internet. E não decepciona. É uma comédia engraçada, neurótica e repleta de diálogos surreais, como todo clássico de Woody Allen.

Larry David incorpora o papel que o diretor está meio velhinho demais pra encarar, e o faz com competência. Não emula os trejeitos de Woody como outros anteriormente – Will Ferrell (Melinda e Melinda) e Kenneth Branagh (Celebridades), mais especificamente. Mas deixa claro que aquele ali seria o personagem interpretado pelo cineasta, caso tivesse sido filmado uns anos antes.

O mau-humor e o desencanto com o cotidiano de Boris Yellnikoff – um físico que “quase ganhou o Prêmio Nobel”, interpretado por David – dão o tom do filme. “Eu não quero viver uma vida em que é preciso comer fruta e salada todo dia”, reclama.

Até que ele encontra a jovem caipira Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood) que, sim, muda toda sua rotina do dia para a noite. Mas não tem nada de “redenção” nem “lição de moral”. Ou melhor, até tem. Só que no bom e velho estilo Woody Allen. Não é Disney nem nada do tipo. Argh.

Claro, me sinto mal por roubar do Woody, mas não posso depender da boa vontade das distribuidoras nacionais para ver os filmes dos meus diretores preferidos. Então, prometo que quando Whatever Works chegar aos cinemas nacionais, vou assistir na tela grande. Em dia de promoção, lógico.

Religulous > Brüno

14, setembro, 2009 Leonardo Tissot Sem comentários

Dois documentários no fim de semana. Um falso, outro verdadeiro. Ambos dirigidos pelo ex-roteirista de Seinfeld, Larry Charles.

Brüno é bem menos engraçado que Borat, mas até que vale o download. Não vou me estender, já que criticar filme em blog é tão 2003.

Larry Charles e Bill Maher: já conversou com uma cobra hoje?

Larry Charles e Bill Maher: já conversou com uma cobra hoje?

Religulous, lançado ano passado, é um doc de verdade, estrelado pelo comediante stand-up Bill Maher. E um tempo muito mais bem gasto do que assistindo Brüno.

No filme, Maher viaja ao redor do mundo questionando fé, religião, serpentes falantes, mães virgens e todo tipo de engambelação inventada pra tirar dinheiro de otários em igrejas, templos e outros ambientes que se auto-proclamam “a casa de Deus”.

Entre os entrevistados, destacam-se um Jesus latino, um ex-homossexual e um senador americano que, sim, acredita em serpentes falantes – e admite que não é necessário teste de QI pra se eleger nos EUA. Oops.

Abaixo, o trailer.



Beatles e Funny People

8, setembro, 2009 Leonardo Tissot 3 comentários

Os Beatles nunca saem da pauta, mas com certeza estão ainda mais em evidência devido aos lançamentos prometidos para amanhã.

O cinema, volta e meia, também se apropria do trabalho dos Fab Four, nem sempre com a qualidade que se espera. A “participação” mais recente de membros da banda em um filme certamente ficou um pouco ofuscada pela histeria coletiva em torno do Rock Band e da discografia remasterizada que estão saindo.

Na trilha sonora de Funny People – que eu ainda não vi, já que nenhum cinema de Porto Alegre se dignou a colocá-lo em cartaz – três dos quatro Beatles dão o ar da graça em suas carreiras solo: Paul, John e Ringo.

Pra completar, Adam Sandler faz uma cover honesta de “Real Love”. Dá um conferes.



A trilha, no geral, é ótima. Além dos Beatles, tem Robert Plant, James Taylor e o Wilcão mandando “Jesus, Etc.” ao vivo com o Andrew Bird no violino, entre outros. Essa última você vê abaixo.