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Sugestão de questão para o vestibular
Quem frequenta banheiros públicos de shoppings, cinemas, restaurantes ou qualquer tipo de estabelecimento, já deve ter se deparado com essa pérola de frase:
Puxe o papel “devagar” com as duas mãos.
Por que o “devagar” está entre aspas? Assinale a alternativa correta:
1 – ( ) O redator está utilizando um recurso chamado “ironia”. Na verdade, querem que você puxe o papel rápido. Talvez para agilizar a fila do mictório, pois os trailers já estão terminando.
2 – ( ) O redator esqueceu de colocar aspas também na palavra “duas”. Afinal, puxar o papel “devagar” e com as “duas” mãos é coisa de “frutinha”.
3 – ( ) O redator da frase é, na verdade, “jornalista”, e quer deixar claro que, quando ele escreve “devagar”, está usando as palavras de outra pessoa. É uma citação, talvez do dono da empresa que desenvolveu o porta-toalha.
4 – ( ) Se você acredita que todas as alternativas estão corretas, assinale esta questão. Você “certamente” vai “passar” no vestibular.
A gente faz do seu jeito. Not.
- Queria um combo do Whopper, mas com fritas e refri pequenos. Rola?
- Ah, aí não dá. No combo, o mínimo é fritas e refrigerante médio.
- E se eu pedir um Whopper Jr.?
- Também não dá.
- (Já me irritando) E qual hamburguer eu posso pedir, então, pra ganhar uma porção de batatas e um refri pequeno?
- (Fila aumentando atrás de mim) Aí teriam que ser os econo-combos, tem várias opções…
- (Pegando o cartão do meu banco para fazer o pagamento) Tá, então me dá o combo do Whopper normal mesmo…
- Ah, mas esse cartão não tá passando.
Porra, Burger King!
Ferdinando
Se ganhamos do bom e velho Hamburgo em 83, por que não ganharíamos do Novo?
Um dos gigantescos zagueiros adversários derruba Jonas em frente à área. Ferdinando e mais meia dúzia de tricolores se aprumam pra cobrar. Eu comento: “Se o Ferdinando bater, juro que vou embora.” Comentário infeliz.
Uma das estrelas – provavelmente Douglas – bate. A bola quase sai do estádio. Néscio.
Minutos depois, Hugo é atravessado ao meio por um dos abagualados volantes do Novo Hamburgo. Lá vem ele de novo.
Meio sem confiança, admito: “Ok, agora o Ferdinando pode bater.”
Que bucha.
Confesso, foi uma das peladas mais brabas que já assisti ao vivo, e ganhar um turno só ainda é nada perto do que merecemos.
Mas que bucha.
Conselhos de Bob Harris
Your life, as you know it… is gone, never to return. But they learn how to walk, and they learn how to talk and you want to be with them. And they turn out to be the most delightful people you will ever meet in your life.
Comendo em Belém
Passei o final de ano em Belém (PA). Foi minha segunda vez na capital paraense, mas a primeira a passeio. Consegui experimentar muita coisa da culinária típica local. A seguir um breve relato, para quem um dia andar por lá saber onde está se metendo.
Tacacá
Mistura de tucupi (caldo fino de cor amarelada extraído da mandioca) com goma. O tucupi é venenoso e precisa ser cozinhado por horas antes de ser consumido. Como descobriram o tempo exato necessário para o veneno se esvair? Não faço a menor ideia e ninguém soube me explicar até agora. É servido em uma cuia, mas não essas de chimarrão. É tipo uma tigela bem primitiva. Mergulhados no tucupi e na goma, vão o jambu (um vegetal que deixa a boca dormente) e os melhores camarões que eu já comi na vida. Fresquinhos e crocantes. Recomendo.
Maniçoba
Outra iguaria inicialmente venenosa, feita à base de maniva, erva que precisa ser cozinhada por sete dias antes de ser servida. Quantos índios padeceram até descobrirem isso eu não sei afirmar com certeza, mas calculo pelo menos sete. Felizmente, consegui sobreviver. Apesar da aparência assustadora, o prato é bem inofensivo. Pela forma como é preparado (num panelão com carne de porco) e servido (eu comi com arroz) lembra um pouco uma feijoada, embora não tenha grãos. Não recomendo tanto, mas quem for até lá precisa provar.
Pato no tucupi
O tucupi é aquele mesmo do tacacá. Também vai jambu na mistura. Pato é pato em qualquer lugar, uma ave de carne um pouco mais escura do que um frango. Não entrou no meu Top 5 de melhores comidas de todos os tempos, mas é ingerível.
Açaí
Nenhum açaí se compara ao de Belém. Pelo menos os que eu tive oportunidade de provar aqui em POA… O que chega mais perto é o da cantina da Uni-Yôga (a unidade que fica na Ramiro Barcelos). Mas no Pará eles te olham torto se tu confessa que tomou açaí com banana picada e granola. O certo é encher a tigela com a polpa do açaí batida e farinha de tapioca por cima. O contraste do sabor é excelente e um açaí gelado é tudo que você pode querer pra espantar o calor. Te deixa com um sorrisão azul daqueles. Mas dá um sono…
Sorvetes da Cairu
Encontrei uma sorveteria melhor que a Zum Zum, de Pelotas. É a Cairu (o site está em manutenção, mas confere o link depois). Dá de goleada na superestimada Jóia, de Porto Alegre. Recomendo com garra os de cupuaçu, bacuri e açaí. Já o de chocolate, bem, ainda prefiro o da Zum Zum, mesmo.
Chopp de bacuri
Bacuri é uma fruta local, que não cheguei a provar, exceto em sobremesas e bebidas como esse chopp, vendido na Amazon Beer. Ao contrário da cerveja de erva-mate do Dado Bier – que não dá pra identificar se o que está sendo ingerido é chimarrão ou chopp – a receita paraense é definitivamente cerveja, mas com um leve toque da fruta. Nada que vá te fazer parar de tomar uma Pilsen normal, mas o resultado é interessante. Nem que seja para provar uma vez na vida.
Tapioquinha
Feita à base de tapioca, é enrolada como uma panqueca. Tem um sabor leve, nada muito excitante. Uma boa opção para um lanchinho à tarde.
Cerpa Export
A famosa “Cerpinha” é a Polar do Pará. Mas muito melhor que sua coirmã gaúcha.
Caranguejo
Em Rio Grande deve ter bastante, mas nunca tinha provado. Minha exploração em frutos do mar tinha ido só até o siri na casca, que acho bem meia-boca. Pois caranguejo também não me apeteceu muito. Achei meio nojento ter que ficar quebrando as patas do bicho e chupando aquela miséria de carne lá de dentro. Dá muito trabalho e não enche a pança. Me dá mais açaí, por favor.
Bastidores do jornalismo
- Luis, teu nome se escreve com “S” com ou “Z”?
- Com “S”.
- Com acento ou sem acento?
- Olha, aí nem sei. Deveria ter, né? Mas não é todo mundo que usa.
O taxista comediante
A cada dia descubro mais e mais as figuraças de Porto Alegre. Ainda preciso escrever sobre algumas delas, como o Woody Allen do Bom Fim, por exemplo.
Sábado de manhã entrei num táxi. O motorista era nada menos que um stand-up comedian. Ou um sit-down comedian, se formos levar em conta a necessidade de dirigir sentado.
Durante a corrida, o cara desfilou uma piada atrás da outra, naquele mesmo timing de Jerry Seinfeld, Bill Maher e outros: introduzia o tema da piada (que podia ser carros, cachorros ou mulheres), lançava uma pergunta e, segundos depois, antes mesmo que eu pudesse responder, já disparava a resposta.
Ele não ria, como todo bom comediante. O problema é que eu também não. Quer dizer, até forcei um pouco algumas vezes, para o clima não ficar muito chato. Até porque a primeira piada foi meio violenta.
A manhã estava chuvosa, e ele revelou que já sabia desde o dia anterior como estaria o clima. “Eu tenho um relógio que me avisa”, disse. E mostrou uma cicatriz grotesca de 15 cm no pulso esquerdo, fruto de um acidente enquanto trocava o pneu do carro. “Tenho uma placa de metal meteorológica”, falou, numa irona demente que mais parecia alívio cômico de um filme de terror.
Depois, continuou palestrando sobre peitões, colocar gasolina no ânus dos filhos, entre outras escatologias que não animaram nem um pouco o meu sábado. Mas tenho que dar uma folga pro cara: seria realmente difícil alegrar um fim de semana em que era necessário trabalhar.
De qualquer forma, ele não era muito pior que nenhum desses caras do CQC, não… Seja amadora ou profissional, stand-up comedy brasileira (a.k.a., “comédia de pé”): não trabalhamos.
Pegadinhas da língua portuguesa
Se tem uma palavra usada gratuitamente por aí, é “diferencial”. Todo mundo adora dizer que a sua marca, produto ou serviço tem um diferencial, mesmo que ofereçam aos seus clientes a mesma porcaria feita pela concorrência.
Estava revisando uma matéria, procurando por palavras repetidas no texto, com o objetivo de trocar por sinônimos, e encontrei o termo “diferencial” duas vezes, em parágrafos seguidos. Fui ao dicionário em busca de outra palavra com o mesmo significado para substituir.
No Houaiss, pensando que iria achar uma solução, encontro:
“Diferencial”
Sinônimos
ver sinonímia de ânus
Coisa de português, claro. É uma forma jocosa de usarem o termo na terra de Fernando Pessoa.
Num contexto brasileiro, a única situação em que consigo imaginar “diferencial” e “ânus” tendo o mesmo significado, é em anúncio de mulher da vida: “O meu diferencial é o seu prazer.” Ou, ainda, em propaganda de exame de próstata: “Dê à sua saúde um toque diferencial.”
O inverso também vale. Fique ligado se disserem que você tem um “trabalho diferenciado” ou coisa que o valha. Podem estar, veladamente, lhe mandando tomar no cu.



