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Arquivo de janeiro, 2010

Na locadora

24, janeiro, 2010 Leonardo Tissot 2 comentários

Sexta-feira, casalzinho meio sem ter o que fazer, procurando filmes na prateleira dos lançamentos. Ela mais agitada. Ele meio quieto.

Ela pega o DVD de Funny People – brilhantemente traduzido no Brasil como “Tá Rindo do Quê?”.

- Amor, que tal esse aqui?

Ouço apenas um breve grunhido.

- Ai, deve ser idiota esse filme – ela decide, jogando a caixinha de volta à estante.

Parabéns, tradutores de títulos de filmes do Brasil. Vocês conseguiram de novo.

* Tirinha por Liniers.

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Comendo em Belém

13, janeiro, 2010 Leonardo Tissot Sem comentários

Passei o final de ano em Belém (PA). Foi minha segunda vez na capital paraense, mas a primeira a passeio. Consegui experimentar muita coisa da culinária típica local. A seguir um breve relato, para quem um dia andar por lá saber onde está se metendo.

Tacacá
Mistura de tucupi (caldo fino de cor amarelada extraído da mandioca) com goma. O tucupi é venenoso e precisa ser cozinhado por horas antes de ser consumido. Como descobriram o tempo exato necessário para o veneno se esvair? Não faço a menor ideia e ninguém soube me explicar até agora. É servido em uma cuia, mas não essas de chimarrão. É tipo uma tigela bem primitiva. Mergulhados no tucupi e na goma, vão o jambu (um vegetal que deixa a boca dormente) e os melhores camarões que eu já comi na vida. Fresquinhos e crocantes. Recomendo.

Maniçoba
Outra iguaria inicialmente venenosa, feita à base de maniva, erva que precisa ser cozinhada por sete dias antes de ser servida. Quantos índios padeceram até descobrirem isso eu não sei afirmar com certeza, mas calculo pelo menos sete. Felizmente, consegui sobreviver. Apesar da aparência assustadora, o prato é bem inofensivo. Pela forma como é preparado (num panelão com carne de porco) e servido (eu comi com arroz) lembra um pouco uma feijoada, embora não tenha grãos. Não recomendo tanto, mas quem for até lá precisa provar.

O Inimigo se entupindo de tacacá

Pato no tucupi
O tucupi é aquele mesmo do tacacá. Também vai jambu na mistura. Pato é pato em qualquer lugar, uma ave de carne um pouco mais escura do que um frango. Não entrou no meu Top 5 de melhores comidas de todos os tempos, mas é ingerível.

Açaí
Nenhum açaí se compara ao de Belém. Pelo menos os que eu tive oportunidade de provar aqui em POA… O que chega mais perto é o da cantina da Uni-Yôga (a unidade que fica na Ramiro Barcelos). Mas no Pará eles te olham torto se tu confessa que tomou açaí com banana picada e granola. O certo é encher a tigela com a polpa do açaí batida e farinha de tapioca por cima. O contraste do sabor é excelente e um açaí gelado é tudo que você pode querer pra espantar o calor. Te deixa com um sorrisão azul daqueles. Mas dá um sono…

Sorvetes da Cairu
Encontrei uma sorveteria melhor que a Zum Zum, de Pelotas. É a Cairu (o site está em manutenção, mas confere o link depois). Dá de goleada na superestimada Jóia, de Porto Alegre. Recomendo com garra os de cupuaçu, bacuri e açaí. Já o de chocolate, bem, ainda prefiro o da Zum Zum, mesmo.

Chopp de bacuri
Bacuri é uma fruta local, que não cheguei a provar, exceto em sobremesas e bebidas como esse chopp, vendido na Amazon Beer. Ao contrário da cerveja de erva-mate do Dado Bier – que não dá pra identificar se o que está sendo ingerido é chimarrão ou chopp – a receita paraense é definitivamente cerveja, mas com um leve toque da fruta. Nada que vá te fazer parar de tomar uma Pilsen normal, mas o resultado é interessante. Nem que seja para provar uma vez na vida.

Tapioquinha
Feita à base de tapioca, é enrolada como uma panqueca. Tem um sabor leve, nada muito excitante. Uma boa opção para um lanchinho à tarde.

Cerpa Export
A famosa “Cerpinha” é a Polar do Pará. Mas muito melhor que sua coirmã gaúcha.

Caranguejo
Em Rio Grande deve ter bastante, mas nunca tinha provado. Minha exploração em frutos do mar tinha ido só até o siri na casca, que acho bem meia-boca. Pois caranguejo também não me apeteceu muito. Achei meio nojento ter que ficar quebrando as patas do bicho e chupando aquela miséria de carne lá de dentro. Dá muito trabalho e não enche a pança. Me dá mais açaí, por favor.