Quem frequenta banheiros públicos de shoppings, cinemas, restaurantes ou qualquer tipo de estabelecimento, já deve ter se deparado com essa pérola de frase:
Puxe o papel “devagar” com as duas mãos.
Por que o “devagar” está entre aspas? Assinale a alternativa correta:
1 – ( ) O redator está utilizando um recurso chamado “ironia”. Na verdade, querem que você puxe o papel rápido. Talvez para agilizar a fila do mictório, pois os trailers já estão terminando.
2 – ( ) O redator esqueceu de colocar aspas também na palavra “duas”. Afinal, puxar o papel “devagar” e com as “duas” mãos é coisa de “frutinha”.
3 – ( ) O redator da frase é, na verdade, “jornalista”, e quer deixar claro que, quando ele escreve “devagar”, está usando as palavras de outra pessoa. É uma citação, talvez do dono da empresa que desenvolveu o porta-toalha.
4 – ( ) Se você acredita que todas as alternativas estão corretas, assinale esta questão. Você “certamente” vai “passar” no vestibular.
- Queria um combo do Whopper, mas com fritas e refri pequenos. Rola?
- Ah, aí não dá. No combo, o mínimo é fritas e refrigerante médio.
- E se eu pedir um Whopper Jr.?
- Também não dá.
- (Já me irritando) E qual hamburguer eu posso pedir, então, pra ganhar uma porção de batatas e um refri pequeno?
- (Fila aumentando atrás de mim) Aí teriam que ser os econo-combos, tem várias opções…
- (Pegando o cartão do meu banco para fazer o pagamento) Tá, então me dá o combo do Whopper normal mesmo…
- Ah, mas esse cartão não tá passando.
Se Woody Allen é jazz, Martin Scorsese é rock. Hoje estreia Shutter Island (Ilha do Medo), seu novo filme com seu novo muso, Leonardo DiCaprio.
Não gostei muito do trailer, mas verei. Seu longa mais recente, The Departed (Os Infiltrados), rendeu o tão aguardado e merecido Oscar de Melhor Diretor. Aquela sequência inicial com o voice over do Jack Nicholson e “Gimme Shelter” dos Stones na trilha sonora já valiam a estatueta.
Um de meus filmes favoritos do velhinho é o curta Life Lessons, parte de New York Stories (Contos de Nova York), em que divide a telona com Francis Ford Coppola e Woody Allen. O artista loucaço, apaixonado, obcecado pela beleza, solitário, bêbado e alucinado. Na trilha, “Like a Rolling Stone” e “A Whiter Shade of Pale”.
Scorsese também dirigiu No Direction Home, documentário sobre o início da carreira de Bob Dylan. Longo (mais de 3 horas), tem um começo chatíssimo, mas da metade pro fim é só alegria.
No seu filme de música seguinte, largou o intelectualismo folk e caiu de cabeça na diversão roqueira. Shine a Light, dos Stones, é a experiência mais próxima de um show que já tive dentro de uma sala de cinema.
Até quando não coloca música em suas cenas, Scorsese é rock. Essa sequência clássica de Taxi Driver é um bom exemplo.
Um de meus maiores pecados como fã (de Scorsese e de rock) é nunca ter assistido The Last Waltz (O Último Concerto de Rock), que reuniu Eric Clapton, Bob Dylan, Neil Young, Van Morrison e outros no último show da The Band. Espero corrigi-lo em breve.
Ele dirigiu umas bombas (Cabo do Medo, Vivendo no Limite), é verdade. Mas desfila um repertório de clássicos de fazer inveja a qualquer Steven Spielberg da vida: Touro Indomável, Cassino, Depois de Horas…
Meu preferido? Goodfellas (Os Bons Companheiros), com o clássico diálogo entre Joe Pesci e Ray Liotta.
Quem lê esse blog há um tempinho lembra da minha reivindicação por Cat Power em Porto Alegre no ano passado. Parece que alguém lá em cima gosta de mim.
Demorou quase um ano, mas a gatíssima Chan Marshall desembarca pela segunda vez na capital gaúcha no próximo dia 20 de maio.
Não assisti ao Oscar, mas o ótimo “It Might Get Loud” (A Todo Volume) rolou no DVD nesse fim de semana. Para quem gosta de documentários de rock, é obrigatório.
Mesmo tendo como tema o clichê dos clichês – a mística da guitarra no rock n’ roll – o filme consegue surpreender em alguns momentos: Jack White fabricando sua própria guitarra e contando do passado como estofador numa birosca de Detroit. Jimmy Page confessando a frustração de viver como músico de estúdio na Londres dos anos 60. E The Edge sendo The Edge – mais interessado em barulhinhos e computadores do que no próprio instrumento.
Apesar de nas entrevistas individuais um meter o pau no estilo do outro – enquanto Jack fala que detesta o uso da tecnologia na música, The Edge critica os longos solos praticados nos anos 70 (a especialidade de Page) -, ao se encontrarem no estúdio montado pela produção do filme, o clima é de respeito e camaradagem.
No final, os três se unem para tocar a simples e bela “The Weight”, da The Band.
Desculpe, mas eu gosto de Metallica. Pior ainda: gosto de Metallica pós-anos 90.
Logo que comecei a ouvir música pra valer, o álbum Load foi lançado. Lembro que já na época foi muito criticado. Não era pesado, os caras tinham cortado os cabelos e tomado um banho de loja, blah, blah, blah.
Olha, o Load é mais pesado que boa parte dos discos qualificados como rock hoje em dia. Ok, não é metal extremo, não assusta criancinhas e a sua mãe até pode gostar de um som ou outro. E daí?
Tem grandes músicas, a começar por “Until It Sleeps”, que tem surgido na minha cabeça nos últimos dias – ironicamente – logo após acordar.
Tem muita influência de rock sulista americano, de blues, é bem tocado, bem gravado, tem uma paleta mais variada de sons e timbres… É o melhor disco do Metallica na minha opinião. Desculpa aí pelo mau gosto.
Concordo que o Reload é meia boca, mas tem coisas boas também. “The Unforgiven II” é forçada, mas tem “The Memory Remains”, com Marianne Faithfull, o anjo com dois peitões que traçou Hendrix e pelo menos metade dos Rolling Stones nos anos 60.
St. Anger? Também gosto. É um disco que tem sentimento – raiva – e muita energia negativa transformada em música. Claro que só poderia ser música agressiva, rápida, direta.
Não tem solinho de guitarra? Bom, quem é que canta sobre frustração, ódio, suicídio e depressão e tem tempo pra fazer solinho de guitarra? Não combina, não faz sentido. O disco é pra ser assim mesmo, um punk direto e pesadão. Desculpa aí, eu gosto.
O DVD que acompanha a edição especial de St. Anger, com ensaios da banda registrados de forma simples, sem efeitos especiais, figurino, seja lá o que for, também é lindo. Melhor ainda que o próprio disco.
Não fui no show, tô meio velho e cansado, com outras prioridades na vida. Também não tava com saco de ouvir “Master of Puppets” de novo. Em 1999, gostei bastante de assisti-los. Mas os fãs não os deixam tocar as coisas novas, só querem a velharia dos anos 80. Entendo e aceito. Mas não concordo.
Dá vontade de me matar e pedir pra nascer de novo, em um passado distante, quando vejo gente defendendo a legitimidade dessa criatura.
Sabia que esse maldito revival anos 80 que não tem fim daria nisso – artistas cada vez mais descartáveis e sem conteúdo. Igualzinho a esse período não-saudoso da música pop.
Não vou nem falar em Claudia Leitte (na capa da Rolling Stone, eu mereço), Ivete, Susan Boyle, Madonna (sim, é um lixo também, nem vem com essa)…
Vamos colocar as coisas em ordem, então?
Sim, drag por drag, fico com o Bowie, obrigado.
E nem vou entrar no jazz, no blues e no soul, porque daí seria muita covardia.
Se ganhamos do bom e velho Hamburgo em 83, por que não ganharíamos do Novo?
Um dos gigantescos zagueiros adversários derruba Jonas em frente à área. Ferdinando e mais meia dúzia de tricolores se aprumam pra cobrar. Eu comento: “Se o Ferdinando bater, juro que vou embora.” Comentário infeliz.
Uma das estrelas – provavelmente Douglas – bate. A bola quase sai do estádio. Néscio.
Minutos depois, Hugo é atravessado ao meio por um dos abagualados volantes do Novo Hamburgo. Lá vem ele de novo.
Meio sem confiança, admito: “Ok, agora o Ferdinando pode bater.”
Que bucha.
Confesso, foi uma das peladas mais brabas que já assisti ao vivo, e ganhar um turno só ainda é nada perto do que merecemos.