Mal aí
Desculpe, mas eu gosto de Metallica. Pior ainda: gosto de Metallica pós-anos 90.
Logo que comecei a ouvir música pra valer, o álbum Load foi lançado. Lembro que já na época foi muito criticado. Não era pesado, os caras tinham cortado os cabelos e tomado um banho de loja, blah, blah, blah.
Olha, o Load é mais pesado que boa parte dos discos qualificados como rock hoje em dia. Ok, não é metal extremo, não assusta criancinhas e a sua mãe até pode gostar de um som ou outro. E daí?
Tem grandes músicas, a começar por “Until It Sleeps”, que tem surgido na minha cabeça nos últimos dias – ironicamente – logo após acordar.
Tem muita influência de rock sulista americano, de blues, é bem tocado, bem gravado, tem uma paleta mais variada de sons e timbres… É o melhor disco do Metallica na minha opinião. Desculpa aí pelo mau gosto.
Concordo que o Reload é meia boca, mas tem coisas boas também. “The Unforgiven II” é forçada, mas tem “The Memory Remains”, com Marianne Faithfull, o anjo com dois peitões que traçou Hendrix e pelo menos metade dos Rolling Stones nos anos 60.
St. Anger? Também gosto. É um disco que tem sentimento – raiva – e muita energia negativa transformada em música. Claro que só poderia ser música agressiva, rápida, direta.
Não tem solinho de guitarra? Bom, quem é que canta sobre frustração, ódio, suicídio e depressão e tem tempo pra fazer solinho de guitarra? Não combina, não faz sentido. O disco é pra ser assim mesmo, um punk direto e pesadão. Desculpa aí, eu gosto.
O DVD que acompanha a edição especial de St. Anger, com ensaios da banda registrados de forma simples, sem efeitos especiais, figurino, seja lá o que for, também é lindo. Melhor ainda que o próprio disco.
Não fui no show, tô meio velho e cansado, com outras prioridades na vida. Também não tava com saco de ouvir “Master of Puppets” de novo. Em 1999, gostei bastante de assisti-los. Mas os fãs não os deixam tocar as coisas novas, só querem a velharia dos anos 80. Entendo e aceito. Mas não concordo.
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