O taxista comediante
A cada dia descubro mais e mais as figuraças de Porto Alegre. Ainda preciso escrever sobre algumas delas, como o Woody Allen do Bom Fim, por exemplo.
Sábado de manhã entrei num táxi. O motorista era nada menos que um stand-up comedian. Ou um sit-down comedian, se formos levar em conta a necessidade de dirigir sentado.
Durante a corrida, o cara desfilou uma piada atrás da outra, naquele mesmo timing de Jerry Seinfeld, Bill Maher e outros: introduzia o tema da piada (que podia ser carros, cachorros ou mulheres), lançava uma pergunta e, segundos depois, antes mesmo que eu pudesse responder, já disparava a resposta.
Ele não ria, como todo bom comediante. O problema é que eu também não. Quer dizer, até forcei um pouco algumas vezes, para o clima não ficar muito chato. Até porque a primeira piada foi meio violenta.
A manhã estava chuvosa, e ele revelou que já sabia desde o dia anterior como estaria o clima. “Eu tenho um relógio que me avisa”, disse. E mostrou uma cicatriz grotesca de 15 cm no pulso esquerdo, fruto de um acidente enquanto trocava o pneu do carro. “Tenho uma placa de metal meteorológica”, falou, numa irona demente que mais parecia alívio cômico de um filme de terror.
Depois, continuou palestrando sobre peitões, colocar gasolina no ânus dos filhos, entre outras escatologias que não animaram nem um pouco o meu sábado. Mas tenho que dar uma folga pro cara: seria realmente difícil alegrar um fim de semana em que era necessário trabalhar.
De qualquer forma, ele não era muito pior que nenhum desses caras do CQC, não… Seja amadora ou profissional, stand-up comedy brasileira (a.k.a., “comédia de pé”): não trabalhamos.
Aprecio muito taxistas calados. Muito.
Eu sempre sento no banco de trás pra ver se os caras se ligam.
Hehehe. O programa até funciona legal quando tem pautas boas (o que raramente acontece). Mas no palco, os caras são muito ruins, pelo que já vi no YouTube.
enfim, alguem q concorda comigo e acha o danilo gentili e cia. um pé no saco afu!