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And I swear that I don’t have a gun

Resgatando um post de seis anos atrás. Motivo? Hoje é o sweet sixteen do melhor disco ao vivo de todos os tempos.

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Kurt Cobain levou os produtores da MTV à loucura durante as reuniões sobre o Unplugged. Primeiro, não queria tocar nenhum hit do Nirvana, e acabou incluindo apenas “Come As You Are” no repertório do show.

Depois, das 14 músicas escolhidas, seis eram covers, sendo cinco delas músicas absolutamente obscuras, de artistas como Leadbelly e os Vaselines. Como convidados, os escolhidos foram os desconhecidíssimos Meat Puppets.

A MTV não sabia o que fazer. Estavam certos de que a gravação seria um desastre. O nervosismo da banda no dia da apresentação piorou ainda mais o clima.

Quem diria que, hoje, 10 anos depois daquele show em Nova York, ninguém mais agüentaria ouvir falar nesse acústico, de tão reprisado que foi pelo canal musical?

Nova York, 18 de novembro de 1993

Nova York, 18 de novembro de 1993

Construído dentro de uma ética artística completamente diferente daquela vista nos unpluggeds de hoje em dia – geralmente um greatest hits mal-disfarçado pra levantar a carreira de artistas que não chegam nem perto do que já foram um dia – o acústico do Nirvana é, na minha opinião, o último momento realmente genial da banda: canções simples, de poucos acordes, cantadas tristemente e com um ar de despedida que fez completo sentido alguns meses depois.

Entretanto, aquilo que era tocado e cantado não poderia ser apresentado de forma melhor e mais profunda, nem mesmo com solos de zilhões de notas e uma produção tecnicamente perfeita. Aliás, tem gente que pensa que eles se achavam grandes músicos, porque só sabem criticar a banda do ponto de vista técnico.

A música do Nirvana não era uma questão de técnica. Nunca foi. Ainda bem.

Heavier Than Heaven, página 351:

Quando ele saiu do palco, houve ainda outra discussão com os produtores da MTV – eles queriam um bis. Kurt sabia que não conseguiria superar o que havia feito. “Quando você vê o suspiro em sua expressão antes da última nota”, observa Finnerty, “é quase como se fosse o último suspiro de sua vida”. Nos bastidores, o resto da banda estava empolgado com a apresentação, embora Kurt ainda parecesse inseguro. Krist disse a ele: “Você fez um ótimo trabalho lá em cima, cara”, e Janet Billig estava tão comovida que chorou. “Eu disse a ele que era seu bar mitzvah, um momento de definição da carreira, tornando-se o homem de sua carreira”, lembra Billig. Kurt gostou dessa metáfora, mas quando ela elogiou sua execução na guitarra, isto pareceu ser uma extrapolação: ele a desancou, declarando que era um “péssimo guitarrista” e pedindo que ela nunca o elogiasse novamente.

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