Power to the People
Isso não foi muito divulgado por aqui, mas olha que coisa incrível.
No Reino Unido, todos os anos, há uma grande expectativa de qual será o single mais vendido na semana de Natal. Afinal, não há coisa que os ingleses gostem mais do que música pop. Bem, talvez tenha, sim: paradas de sucesso.
Simon Cowell – o jurado mala de American Idol e executivo da BMG – afirmou que um de seus protegidos, Joe McElderry (vencedor do The X Factor, programa de música local do qual Cowell também é jurado), chegaria ao topo da parada de singles britânica no Natal deste ano, com a música “The Climb”. E isso provavelmente aconteceria, já que os vencedores do show de calouros vêm alcançando esse objetivo há quatro anos.
Surgiu, então, no Facebook, uma campanha para levar uma canção que fosse o oposto completo do pop açucarado e desprovido de colhões de McElderry e Cowell ao topo: o clássico da rebeldia “Killing in the Name”, do Rage Against The Machine, de 1992. Era um recado a Simon Cowell: “fuck you, I won’t do what you tell me”.
Para combater a ainda fortíssima mídia britânica, só mesmo a internet. Com a força dos usuários do Facebook (e o apoio – ainda que descrente – de veículos como o NME) o que parecia impossível realmente aconteceu. Fãs de música de verdade levaram a campanha em frente, colocando o quarteto americano no Top 40 UK na semana de 20 de dezembro.
Por meio do comércio online, o single do RATM vendeu 50 mil cópias a mais do que a baba radiofônica de McElderry, provocando até mesmo a retratação pública de colunistas do NME, que simplesmente não acreditavam que tal coisa fosse possível.
O dinheiro será enviado para caridade e o RATM prometeu fazer um show de reunião gratuito no Reino Unido em 2010.
O engraçado é que, provavelmente, nunca uma canção com tantos “fuck you” foi tão celebrada durante o Natal.
E você, para quem gostaria de mandar um sonoro “fuck you” neste fim de ano?

Isso vai pra minha dissertação de mestrado, haha!
:)