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Textos com Etiquetas ‘jornalismo’

Bastidores do jornalismo

18, dezembro, 2009 Leonardo Tissot Sem comentários

- Luis, teu nome se escreve com “S” com ou “Z”?
- Com “S”.
- Com acento ou sem acento?
- Olha, aí nem sei. Deveria ter, né? Mas não é todo mundo que usa.

Reflexões aleatórias sobre mídia e música

11, agosto, 2009 Leonardo Tissot 2 comentários

Sim, as revistas de música estão morrendo. Pelo menos do jeito que a gente as conhecia. O que me espanta é estarem descobrindo isso agora, como esse artigo da Slate aponta, quase no final da primeira década do novo milênio.

Não precisa ser um gênio pra entender o caminho que as coisas estão tomando. Eu estou muito longe de ter uma mente brilhante e percebi já há alguns anos. Tanto que fiz um pré-projeto de mestrado a respeito da relação entre jornalistas/críticos musicais e o público, via comunidades virtuais e blogs (complementando com p2p), lá em 2004. É simplesmente muito óbvio.

O fã tem maior acesso à música, logo, pode ouvir mais artistas, de forma mais profunda do que antigamente, quando era necessário pagar por discos e acabava-se conhecendo menos bandas. Como se não bastasse, ainda tem espaço pra comunicar suas ideias, com a vantagem de que ninguém precisa pagar pra ler um blog.

Talvez tenha menos visibilidade (um blog ainda é percebido de forma diferente de uma Rolling Stone ou de uma reportagem de capa no New York Times), mas isso se conquista com o tempo. A consequência? A opinião do crítico mala e preciosista se torna ainda mais irrelevante do que já era.

Isso é ruim? De forma alguma. Talvez não dê pra ganhar a vida como jornalista de música. Mas o cara tá nessa pra faturar ou pra ouvir e divulgar coisa boa?

Claro que ainda haverá espaço pra quem quiser cobrir shows, entrevistar músicos, contar a história das bandas, etc. Isso nunca deu muito dinheiro, e quem tiver paciência e disponibilidade, vai continuar, via web (como já acontece há tempos) ou por qualquer outro meio que venha a surgir nos próximos anos. Movido pelo quê? Paixão pela porra da música, ora bolas.

Experiências colaborativas como o site BiS, por exemplo, estão aí pra tentar fazer as coisas acontecerem de forma mais organizada e com o respaldo de veteranos ligados no que anda rolando, como o Forastieri. Ainda não vejo resultados muito concretos no trabalho deles. Mas é uma ideia.

Claro que o fato de não se ter mais artistas relevantes como antigamente também faz diferença. Mas isso ocorre por meio de ciclos, sempre foi assim.

Ninguém vai sentir falta de pagar R$ 15,00 por uma revista, isso eu garanto. Ninguém sente falta de pagar pela música, por que sentiriam do resto?

Tá, é legal ter um produto de qualidade, bem acabado, com fotos bacanas, textos bem escritos e editados, pra folhear, levar no ônibus, pro banheiro ou mostrar pros amigos. Mas não se pode fazer isso num notebook ou celular?

Enfim, o assunto vai longe e abrange outras áreas do jornalismo – tem jornal de papel acabando aos montes por aí. Mas certamente não é motivo pra histeria nem choradeira. Conteúdo relevante sempre vai ser necessário, o que pode mudar é o meio e a forma como ele é produzido.

Tem mais gente ganhando voz, o que é ótimo. Resta saber se essas vozes vão ter talento, fôlego, criatividade e capacidade de adaptação pra encaminhar essa transição da forma mais construtiva possível.

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