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And I swear that I don’t have a gun

18, novembro, 2009 Leonardo Tissot Sem comentários

Resgatando um post de seis anos atrás. Motivo? Hoje é o sweet sixteen do melhor disco ao vivo de todos os tempos.

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Kurt Cobain levou os produtores da MTV à loucura durante as reuniões sobre o Unplugged. Primeiro, não queria tocar nenhum hit do Nirvana, e acabou incluindo apenas “Come As You Are” no repertório do show.

Depois, das 14 músicas escolhidas, seis eram covers, sendo cinco delas músicas absolutamente obscuras, de artistas como Leadbelly e os Vaselines. Como convidados, os escolhidos foram os desconhecidíssimos Meat Puppets.

A MTV não sabia o que fazer. Estavam certos de que a gravação seria um desastre. O nervosismo da banda no dia da apresentação piorou ainda mais o clima.

Quem diria que, hoje, 10 anos depois daquele show em Nova York, ninguém mais agüentaria ouvir falar nesse acústico, de tão reprisado que foi pelo canal musical?

Nova York, 18 de novembro de 1993

Nova York, 18 de novembro de 1993

Construído dentro de uma ética artística completamente diferente daquela vista nos unpluggeds de hoje em dia – geralmente um greatest hits mal-disfarçado pra levantar a carreira de artistas que não chegam nem perto do que já foram um dia – o acústico do Nirvana é, na minha opinião, o último momento realmente genial da banda: canções simples, de poucos acordes, cantadas tristemente e com um ar de despedida que fez completo sentido alguns meses depois.

Entretanto, aquilo que era tocado e cantado não poderia ser apresentado de forma melhor e mais profunda, nem mesmo com solos de zilhões de notas e uma produção tecnicamente perfeita. Aliás, tem gente que pensa que eles se achavam grandes músicos, porque só sabem criticar a banda do ponto de vista técnico.

A música do Nirvana não era uma questão de técnica. Nunca foi. Ainda bem.

Heavier Than Heaven, página 351:

Quando ele saiu do palco, houve ainda outra discussão com os produtores da MTV – eles queriam um bis. Kurt sabia que não conseguiria superar o que havia feito. “Quando você vê o suspiro em sua expressão antes da última nota”, observa Finnerty, “é quase como se fosse o último suspiro de sua vida”. Nos bastidores, o resto da banda estava empolgado com a apresentação, embora Kurt ainda parecesse inseguro. Krist disse a ele: “Você fez um ótimo trabalho lá em cima, cara”, e Janet Billig estava tão comovida que chorou. “Eu disse a ele que era seu bar mitzvah, um momento de definição da carreira, tornando-se o homem de sua carreira”, lembra Billig. Kurt gostou dessa metáfora, mas quando ela elogiou sua execução na guitarra, isto pareceu ser uma extrapolação: ele a desancou, declarando que era um “péssimo guitarrista” e pedindo que ela nunca o elogiasse novamente.

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Os supergrupos e a amizade

21, agosto, 2009 Leonardo Tissot 1 comentário

E o Them Crooked Vultures, hein?

Se, por um lado, juntar em uma só banda Josh Homme (guitarra e vocal, Queens of the Stone Age), John Paul Jones (baixo, Led Zeppelin) e Dave Grohl (bateria, Nirvana) parece a realização do mais molhado sonho de um fã de rock, por outro, como esses caras vão conseguir superar ou, no mínimo, alcançar as expectativas que seus históricos individuais inevitavelmente acabam gerando?

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Ao ler a notícia da formação do grupo – que ainda conta com o guitarrista Alain Johannes, colaborador habitual do QOTSA – o fã mais otimista já sonha com a criação de clássicos do naipe de “Black Dog”, “Smells Like Teen Spirit” ou “No One Knows”. Mas não é bem assim.

Supergrupos não costumam dar muito certo, ainda mais se unidos pelos motivos errados. O Audioslave foi um caso interessante. A princípio, ninguém levava a sério os boatos de que Chris Cornell, ex-Soundgarden, poderia se unir aos músicos do Rage Against the Machine.

Bem-sucedidos em suas bandas originais, os estilos simplesmente pareciam não combinar. Ainda assim, o quarteto chegou ao topo, turbinado por uma boa dose de marketing e rotação constante na MTV e nas FMs, mais fortes do que a internet na época. Mas sejamos realistas. Na prática, eles fizeram apenas um primeiro disco legalzinho – apesar de babas como “Like a Stone” – e depois só decepcionaram.

Mesmo quando se reúnem pelos motivos certos – amigos com vontade de criar algo juntos, sem compromisso – esses supergrupos também costumam ter resultados questionáveis. The Travelling Willburys, que contava com os chapas Bob Dylan, George Harrison, Roy Orbison, Tom Petty e Jeff Lynne, não rendeu o esperado.

O meu supergrupo preferido foi o Dirty Mac, que também não tinha como dar errado. Em primeiro lugar, porque John Lennon, Keith Richards, Eric Clapton e Mitch Mitchell tocaram juntos apenas uma vez. Em segundo, porque escolheram para o seu repertório uma música apenas, e ainda por cima era dos Beatles: “Yer Blues”, do Álbum Branco.

O lado bom do Them Crooked Vultures é, justamente, o ar de “brincadeira levada a sério” do projeto. A banda é formada por amigos. Como todo mundo lembra, Dave Grohl chegou a adiar o lançamento de One By One, do Foo Fighters, para excursionar com o QOTSA, em 2002, após arrebentar tudo tocando bateria em Songs for the Deaf.

John Paul Jones também já havia trabalhado com Grohl em In Your Honor, sem falar na participação dele e de Jimmy Page no último show da mais recente turnê do Foo Fighters, em Wembley.

O fator “amizade” deixa claro que as intenções são as menos comerciais possíveis. Claro, música também é negócio, e se o disco for bem recebido, pode render uma bela turnê e mais álbuns no futuro. Ninguém é bobo de dizer “não” pra uma graninha – ainda mais ganhada com uma bela dose de diversão.

Mas como os três principais envolvidos já conquistaram tudo o que podiam com suas bandas principais, o mínimo que se espera é um trabalho honesto, motivado pelas novas parcerias e direcionado ao fã, não ao mercado.

O único show da banda até o momento rendeu alguns vídeos no YouTube – com qualidade de som bem ruim, não dá pra tomar posição sobre as músicas.

Aos poucos, eles mesmos vão lançando – em doses homeopáticas – trechos de sons e imagens da banda reunida em estúdio. O primeiro álbum deve ser lançado no dia 23 de outubro, data ainda não confirmada.