FAITH NO MORE VOLTA AO BRASIL SEM ENVELHECER SEU SOM
Mike Patton não tem com o que se preocupar. A “crise da meia-idade” cantada por ele em um dos maiores hits do Faith No More, “Midlife Crisis” (do álbum Angel Dust, de 1992) parece estar longe de chegar. É a sensação que fica após o primeiro show da banda no Brasil depois do retorno aos palcos, em 2009. Os 11 anos afastados dos holofotes não envelheceram o som e a postura do quinteto.
Em apresentação no Pepsi On Stage, em Porto Alegre (RS), na noite de terça-feira (03/11), a trupe californiana demonstrou força e empatia, enquanto amontoava hit sobre hit diante do público gaúcho, extasiado pela voracidade com que os músicos atacavam seus instrumentos.
Fãs das antigas – que certamente acompanharam as passagens anteriores do grupo pelo país, em 1991 e 1995 – misturavam-se à nova geração, que pela primeira vez assistia ao vivo a um dos grandes nomes do rock dos anos 90.
Desde “From Out of Nowhere” até “We Care a Lot” – que fechou a apresentação de uma hora e quarenta minutos – o público cantou junto os grandes sucessos da banda, como “Epic”, “Easy”, “Ricochet” e “Ashes To Ashes”.
Mike Patton, doido de carteirinha, pulava e gritava – por vezes com o auxílio de um megafone – e demonstrava a mesma energia dos anos de ouro do Faith No More. O terno prateado, que brilhava sob o jogo de luzes, logo foi deixado de lado. Por mais que Patton hoje seja um senhor na faixa dos 40, o figurino simplesmente não combinava com a atitude do vocalista.
O tecladista Roddy Bottum também interagiu com o público, desfilando seu repertório de palavrões em português com a mesma habilidade demonstrada em seu instrumento. Os demais músicos – o excelente baixista Billy Gould, o guitarrista Jon Hudson e o baterista Mike Bordin – ofereciam a base perfeita para as “mil vozes” de Patton, que ora cantava feito um crooner, ora vociferava como um vocalista de death metal.
O Faith No More segue a sua turnê brasileira no Rio de Janeiro (Citibank Hall, 05/11). A banda ainda toca em São Paulo, no festival Maquinaria (Chácara do Jockey Clube, 07/11) e em Belo Horizonte (Chevrolet Hall BH, 08/11).