Arquivo

Textos com Etiquetas ‘porto alegre’

You are here, don’t look back

Quem lê esse blog há um tempinho lembra da minha reivindicação por Cat Power em Porto Alegre no ano passado. Parece que alguém lá em cima gosta de mim.

Demorou quase um ano, mas a gatíssima Chan Marshall desembarca pela segunda vez na capital gaúcha no próximo dia 20 de maio.

Bora?

E ela também canta Dylan.

E já cantou com Eddie Vedder.

Categories: música Tags: ,

O taxista comediante

9, novembro, 2009 Leonardo Tissot 3 comentários

A cada dia descubro mais e mais as figuraças de Porto Alegre. Ainda preciso escrever sobre algumas delas, como o Woody Allen do Bom Fim, por exemplo.

Sábado de manhã entrei num táxi. O motorista era nada menos que um stand-up comedian. Ou um sit-down comedian, se formos levar em conta a necessidade de dirigir sentado.

Durante a corrida, o cara desfilou uma piada atrás da outra, naquele mesmo timing de Jerry Seinfeld, Bill Maher e outros: introduzia o tema da piada (que podia ser carros, cachorros ou mulheres), lançava uma pergunta e, segundos depois, antes mesmo que eu pudesse responder, já disparava a resposta.

Ele não ria, como todo bom comediante. O problema é que eu também não. Quer dizer, até forcei um pouco algumas vezes, para o clima não ficar muito chato. Até porque a primeira piada foi meio violenta.

A manhã estava chuvosa, e ele revelou que já sabia desde o dia anterior como estaria o clima. “Eu tenho um relógio que me avisa”, disse. E mostrou uma cicatriz grotesca de 15 cm no pulso esquerdo, fruto de um acidente enquanto trocava o pneu do carro. “Tenho uma placa de metal meteorológica”, falou, numa irona demente que mais parecia alívio cômico de um filme de terror.

Depois, continuou palestrando sobre peitões, colocar gasolina no ânus dos filhos, entre outras escatologias que não animaram nem um pouco o meu sábado. Mas tenho que dar uma folga pro cara: seria realmente difícil alegrar um fim de semana em que era necessário trabalhar.

De qualquer forma, ele não era muito pior que nenhum desses caras do CQC, não… Seja amadora ou profissional, stand-up comedy brasileira (a.k.a., “comédia de pé”): não trabalhamos.

Resenha escrita em 15 minutos para tentativa de publicação (frustrada) em um grande jornal brasileiro

5, novembro, 2009 Leonardo Tissot Sem comentários

FAITH NO MORE VOLTA AO BRASIL SEM ENVELHECER SEU SOM

Mike Patton não tem com o que se preocupar. A “crise da meia-idade” cantada por ele em um dos maiores hits do Faith No More, “Midlife Crisis” (do álbum Angel Dust, de 1992) parece estar longe de chegar. É a sensação que fica após o primeiro show da banda no Brasil depois do retorno aos palcos, em 2009. Os 11 anos afastados dos holofotes não envelheceram o som e a postura do quinteto.

Em apresentação no Pepsi On Stage, em Porto Alegre (RS), na noite de terça-feira (03/11), a trupe californiana demonstrou força e empatia, enquanto amontoava hit sobre hit diante do público gaúcho, extasiado pela voracidade com que os músicos atacavam seus instrumentos.

Fãs das antigas – que certamente acompanharam as passagens anteriores do grupo pelo país, em 1991 e 1995 – misturavam-se à nova geração, que pela primeira vez assistia ao vivo a um dos grandes nomes do rock dos anos 90.

Desde “From Out of Nowhere” até “We Care a Lot” – que fechou a apresentação de uma hora e quarenta minutos – o público cantou junto os grandes sucessos da banda, como “Epic”, “Easy”, “Ricochet” e “Ashes To Ashes”.

Mike Patton, doido de carteirinha, pulava e gritava – por vezes com o auxílio de um megafone – e demonstrava a mesma energia dos anos de ouro do Faith No More. O terno prateado, que brilhava sob o jogo de luzes, logo foi deixado de lado. Por mais que Patton hoje seja um senhor na faixa dos 40, o figurino simplesmente não combinava com a atitude do vocalista.

O tecladista Roddy Bottum também interagiu com o público, desfilando seu repertório de palavrões em português com a mesma habilidade demonstrada em seu instrumento. Os demais músicos – o excelente baixista Billy Gould, o guitarrista Jon Hudson e o baterista Mike Bordin – ofereciam a base perfeita para as “mil vozes” de Patton, que ora cantava feito um crooner, ora vociferava como um vocalista de death metal.

O Faith No More segue a sua turnê brasileira no Rio de Janeiro (Citibank Hall, 05/11). A banda ainda toca em São Paulo, no festival Maquinaria (Chácara do Jockey Clube, 07/11) e em Belo Horizonte (Chevrolet Hall BH, 08/11).

Categories: música Tags: , ,

O Segurança

21, outubro, 2009 Leonardo Tissot Sem comentários

Parada de ônibus, duas e meia da tarde. Um cidadão de bicicleta se aproxima. Cerca de 25 anos. Boné na cabeça, escondendo os cabelos longos e sujos. Carregava consigo o menor gato do mundo, literalmente a tiracolo.

- Esse aqui é o meu SEGURANÇA – brada, apontando para o focinho do bichano.

Eu, já temendo ouvir um diálogo pseudo-bíblico qualquer, num tom de voz alterado – tipo Samuel L. Jackson em Pulp Fiction -, provavelmente dei um ou dois passos para trás. Duas velhinhas que também esperavam o ônibus tiveram a mesma atitude. Sabemos que uma rajada de tiros dói. Dói muito.

- Sei que a minha cara não é BONITA. Mas não precisam ter medo.

Ele realmente achou que ficaríamos aliviados depois dessa? Tenta de novo, bróder.

- Só quero DEZ CENTAVOS pra comprar um LEITINHO pro meu SEGURANÇA.

“Pedido de esmola mais demente e criativo da face da Terra”, pensei.

Paguei, de bom grado, CINQUENTA CENTS. As velhinhas também sacaram alguns níqueis de suas moedeiras e entregaram ao rapaz, mesmo sabendo que ele iria gastar tudo em crack.

Só espero que o segurança tenha levado a parte que lhe cabia no golpe.

Carmageddon gaudério

7, outubro, 2009 Leonardo Tissot 2 comentários

Quase metade da população de Porto Alegre dirige carros. De acordo com informações da EPTC, são 660 mil para 1,4 milhão de habitantes. E ainda têm ônibus, motos e lotações para somar a esse número. Há quem diga que esse papo de “automóveis demais” na cidade não existe.

Pois o número de atropelamentos na capital é igualmente significativo. Entre janeiro e agosto deste ano, a cada dia, quase quatro pessoas foram atingidas por veículos ao atravessar as ruas. Nada menos que 812 atropelamentos, resultando em 52 mortes, ainda de acordo com dados da EPTC. Sem falar em pernas quebradas, atendimento ruim em hospitais, semanas de trabalho perdidas e economia afetada.

As campanhas publicitárias voltadas ao trânsito, cujo objetivo é suavizar esses números, devem render muitas noites insones para os departamentos de criação. Imagine ter que convencer este ser tão inteligente e superior – o gaúcho – a dirigir de forma menos bagual. Simplesmente não funciona.

Gênios do rock em Liverpool, atropelados em Porto Alegre

Gênios do rock em Liverpool, atropelados em Porto Alegre

Ontem à tarde, caminhando pela Av. Borges de Medeiros, vindo do Menino Deus em direção ao Centro, tentei fazer o novo sinal – mais recente iniciativa para conscientizar motoristas quanto a necessidade de respeitar os pedestres. Duas vezes. Em ambas, é claro, estava prestes a caminhar sobre uma faixa de segurança, em ruas onde não haviam semáforos.

Na primeira, só não fui atropelado porque não confio o suficiente em ninguém para apenas levantar minha mão e sair andando. O motorista ignorou completamente minha presença, acelerando assim que abriu uma brecha. Na segunda, um ônibus da Carris – já sobre a faixa de segurança – impediu minha passagem. E não, as faixas não estavam “apagadas”, como muitos motoras gostam de argumentar.

Infelizmente, parece que o convívio pacífico entre motoristas e pedestres só voltará a ocorrer quando a quantidade de uns ou de outros diminuir. Nem que seja pela extinção de uma das espécies via acidentes fatais.

Spell

Entre as covers que a Tom Bloch tocou no último dia 21, no Ocidente, estavam “Moonage Daydream”, do David Bowie, e “Big Exit”, da musa PJ Harvey.

Mas a mais curiosa versão da apresentação foi essa espécie de mash-up de “I Put a Spell On You” – de Screaming Jay Hawkings, também gravada por Creedence Clearwater Revival, Nina Simone e Marilyn Manson, entre outros – com “Gonna Leave You”, do Queens of the Stone Age.

Encontrei esse vídeo daquela noite. A qualidade não é das melhores, mas dá pra ter uma ideia de como ficou.

Aqui e aqui, vídeos dos artistas originais tocando ambas as músicas.

Tinha que ser assim

Sempre quis morar nesta parte de Porto Alegre. Gostava dos prédios, das luzes. Hoje estou aqui. Enfim, é legal. Mas o clipe é mais ainda.

PS: Acho que a 1:13 é a entrada do meu prédio, mas não tenho certeza.