Não sei se eu nunca tinha assistido, ou se eu não tinha pescado a referência na época. Mas ontem peguei uma reprise de “That 70’s Show” na TV em que o Eric e a Donna fazem o Alvy Singer e a Annie Hall.
Muitos sonham em ver Jerry Seinfeld e Woody Allen trabalhando juntos. Ambos humoristas. Ambos iniciados na stand-up comedy. Ambos novaiorquinos da gema. Ambos vindos de famílias judias. Pode dar um caldo. Um dia, quem sabe.
Por enquanto, basta a gente se conformar com a união entre Allen e a outra mente por trás do sucesso de Seinfeld (a série) – o roteirista e ator Larry David. O que não é pouco. Afinal, o cara que serviu de inspiração para George Costanza não pode ser subestimado.
Sempre quis ser Woody Allen, mas com essa bermudinha...
Whatever Works, que deve estrear no Brasil em novembro (com o título Tudo Pode Dar Certo), é o resultado desta parceria. Woody volta a filmar em Nova York. Larry David provavelmente realiza um de seus grandes sonhos profissionais.
O filme já saiu em DVD nos EUA. Consequentemente, está disponível para download em boa qualidade na internet. E não decepciona. É uma comédia engraçada, neurótica e repleta de diálogos surreais, como todo clássico de Woody Allen.
Larry David incorpora o papel que o diretor está meio velhinho demais pra encarar, e o faz com competência. Não emula os trejeitos de Woody como outros anteriormente – Will Ferrell (Melinda e Melinda) e Kenneth Branagh (Celebridades), mais especificamente. Mas deixa claro que aquele ali seria o personagem interpretado pelo cineasta, caso tivesse sido filmado uns anos antes.
O mau-humor e o desencanto com o cotidiano de Boris Yellnikoff – um físico que “quase ganhou o Prêmio Nobel”, interpretado por David – dão o tom do filme. “Eu não quero viver uma vida em que é preciso comer fruta e salada todo dia”, reclama.
Até que ele encontra a jovem caipira Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood) que, sim, muda toda sua rotina do dia para a noite. Mas não tem nada de “redenção” nem “lição de moral”. Ou melhor, até tem. Só que no bom e velho estilo Woody Allen. Não é Disney nem nada do tipo. Argh.
Claro, me sinto mal por roubar do Woody, mas não posso depender da boa vontade das distribuidoras nacionais para ver os filmes dos meus diretores preferidos. Então, prometo que quando Whatever Works chegar aos cinemas nacionais, vou assistir na tela grande. Em dia de promoção, lógico.
Está decidido. Vou ser figurante no filme de Woody Allen que será rodado no Rio de Janeiro, em 2011. Ainda não sei que papel irei interpretar, mas já estou pensando em algumas frases que poderiam ser encaixadas no roteiro. Todas ditas com o sotaque e a malemolência que um personagem carioca exige, naturalmente.
Pensando em cenários possíveis – embora alguns improváveis – para a fita, seguem diálogos que imaginei para eu mesmo dizer, ou para qualquer outro personagem. Os primeiros, inspirados pelo clássico “these pretzels are making me thirsty”, imortalizado pelo grande Cosmo Kramer.
Num boteco da Lapa:
- “Essa coxinha tá me deixando com sede, mané!”
ou
- “Essa caipirinha tá me deixando lesado, cumpádi!”
Na Igreja da Candelária:
- “Católico é o caralho, sou é judeu nova-iorquino, porra!”
Perdido nos esportes locais:
- “Alguma chance de a gente pegar um jogo dos Knicks no Maracanãzinho?”
ou
- “Zico? É uma espécie de Joe DiMaggio brasileiro, então?”
Subindo o morro:
- “Upper West Side? Bora subir a ala oeste da Rocinha, merrmão!”
Caminhando em Copacabana:
- “Essa calçada preto-e-branco está me dando naúseas. Por que elas não podem ser cinzas como em Nova York? Deus, não aguento mais isso. Esse calor, tanta gente bonita ao meu redor. Me sinto tão doente. Ainda sou muito jovem para morrer. Preciso voltar para Manhattan…”
Tomando banho de mar:
- “Essa água tem mais sal que um hot-dog do Central Park. Isso pode não ser bom para o meu colesterol.”
Visitando o Cristo Redentor:
- “A última vez que estive dentro de uma mulher foi quando visitei a Estátua da Liberdade. E agora aqui estou eu, em cima deste homem que, por razões óbvias, é muito bem-dotado.” (demais personagens ficam resignados, em um silêncio constrangedor)
Passando mal após pegar queimadura de 3º grau:
“Não é só Deus que não existe. Tente um atendimento no SUS brasileiro.”
Vendo TV no hotel:
“TV Globo? Isso que é ideia de dominação mundial. Me pergunto o que McLuhan pensaria a respeito.”
Fracas, mas ainda tenho tempo de pensar em mais algumas até lá. Ideias melhores? A caixa de comentários tá aí pra isso.
Alguém aí já ouviu falar no escritor Alexis De Vilar e, por um acaso, leu o seu livro “Goodbye, Barcelona”? É, achei que não. Pois façam uma busca pelo nome do autor ou do livro no Google, e vejam que bela propagandagratuita a obra ganhou nos últimos dias.
Fica a dica: se você é um escritor frustrado a fim de ganhar uns trocados às custas dos outros, acuse um artista famoso de plágio. Não precisa provar nada, e tem efeitos inegáveis a seu favor. Queima o filme – trocadilho não intencional – do acusado, atrai a atenção da mídia para você e a sua editora fica feliz da vida.
Isso – é evidente – funciona mesmo que o caso não seja nem um pouco consistente. Seu livro pode ter sido escrito em 1987, mas lançado após a obra que você acusa de plágio. Ouvi falar que Allen possui a espada justiceira dos Thundercats, que lhe dá visão além do alcance. Assim, torna-se plausível o fato de ele conseguir ler livros antes mesmo destes chegarem ao mercado.
No entanto, o cineasta novaiorquino – que se recusou a comentar uma possível participação sua na adaptação do desenho animado oitentista – sofre de uma condição cerebral crônica, que faz com que ele leve 20 anos para escrever um roteiro baseado em ideias alheias, mas seja plenamente capaz de criar um roteiro original por ano desde a década de 70.
Mesmo apesar da inexistência de registros de uma tradução para o inglês de “Goodbye, Barcelona”, sabe-se que Allen é conhecidíssimo por ser um grande estudioso do espanhol, além de provavelmente empregar mexicanos ilegais em sua residência. Estes poderiam fazer o trabalho sujo por ele, caso o diretor não tivesse o título de PhD no idioma.
É óbvio, ainda, que ele possui uma grande tradição de plagiador. Por isso escreveu, até o momento, pouco mais de 60 roteiros para cinema e TV, todos chupados de algum livro obscuro que nem mesmo podia ser encontrado em qualquer prateleira de livraria do mundo antes do lançamento de sua versão cinematográfica copiada.